O Rock in Rio registrou 4,2 milhões de menções no ambiente digital entre 4 e 14 de setembro de 2026. O volume colocou o festival à frente de eventos como Carnaval, Réveillon e Ano Novo em levantamento realizado pela Polis Consulting, representante oficial da plataforma Brandwatch no Brasil. Por trás dos números, uma estratégia de comunicação combina social listening, inteligência de dados e monitoramento das redes sociais em tempo real.
O estudo analisou 16 eventos culturais e musicais de relevância nacional. Entre as grandes celebrações brasileiras monitoradas, o Carnaval contabilizou 2,77 milhões de menções. Réveillon e Ano Novo chegaram a 1,48 milhão. Já o Todo Mundo no Rio registrou 965 mil.
São João e festas juninas somaram 700 mil menções. Por sua vez, o Festival de Parintins alcançou 49,2 mil.
Estratégia de comunicação estimula conversas sobre o Rock in Rio
O volume de menções não depende apenas do que acontece durante os dias de festival. Segundo Sara Gobbi, gerente de Growth Marketing, a estratégia busca manter a relação com o público durante todo o ano.
“Gerar conversa é um dos pilares da nossa estratégia de comunicação. O Rock in Rio mantém uma relação constante com o público ao longo de todo o ano e o gigantesco volume de menções que vemos durante o festival é resultado de um trabalho planejado para manter essa conversa sempre viva”, afirma.
A estratégia também envolve ações com artistas, creators e fandoms. Além disso, a organização cria diferentes pontos de contato para estimular a participação espontânea do público.
“Mais do que reagir ao que está sendo dito, existe uma estratégia de comunicação por trás para fazer essas conversas acontecerem”, completa Sara Gobbi.
Monitoramento considera o ciclo de engajamento do público
Para comparar os eventos, o levantamento adotou uma janela temporal padronizada. A análise considerou a última edição de cada evento, realizada em 2025 ou 2026.
O período monitorado começou sete dias antes de cada evento. Em seguida, contemplou os dias de realização e terminou no dia seguinte ao encerramento.
Dessa forma, a metodologia buscou acompanhar diferentes momentos da jornada digital. Entre eles estão a expectativa provocada por anúncios e programações, as conversas durante os eventos e a repercussão posterior.
A coleta utilizou buscas estruturadas a partir de textos e contextos. O processo combinou termos oficiais, variações dos nomes dos eventos e artistas presentes nos line-ups associados a palavras-chave relacionadas a shows.
Assim, o sistema conseguiu identificar conversas relacionadas aos eventos mesmo quando os usuários não mencionavam seus nomes diretamente. A metodologia também filtrou conteúdos ligados à vida pessoal dos artistas e ruídos político-partidários.

War-room acompanha redes sociais durante o Rock in Rio
O monitoramento também faz parte da operação do Rock in Rio durante os dias de festival. Uma equipe de analistas de inteligência de dados trabalha em um war-room dedicado às conversas digitais.
A operação utiliza a Brandwatch e conta com o apoio da agência Rockers e da Polis Consulting na inteligência de dados.
A equipe acompanha as conversas em tempo real para identificar oportunidades de interação com o público e possibilidades de engajamento entre consumidores e marcas. O trabalho também permite detectar princípios de crise e demandas relacionadas à experiência dentro da Cidade do Rock.
Entre os assuntos monitorados estão serviços, alimentação, filas e conforto do público. As informações publicadas nas redes sociais, portanto, passam a funcionar como uma fonte de dados para a operação do evento.
“Para nós, o social listening é o coração da experiência do público. E quando o poder do monitoramento está em ouvir o público ativamente, identificar oportunidades, desafios e gerar insights que elevem o nível da experiência. Isso é o que realmente importa”, afirma Gildevan Carvalho, CEO da Polis Consulting.
Social listening conecta comunicação e experiência do consumidor
O modelo adotado pelo Rock in Rio mostra como o monitoramento digital pode ultrapassar a mensuração de menções. Nesse caso, os dados também ajudam as equipes a identificar demandas e acompanhar a experiência do consumidor durante o evento.
A parceria entre a Polis Consulting e o Rock in Rio existe há sete anos. Em 2024, a operação precisou enfrentar uma mudança no ambiente das redes sociais durante a edição que marcou os 40 anos do festival.
Naquele ano, a suspensão judicial do X, antigo Twitter, retirou temporariamente do ambiente digital brasileiro uma plataforma que concentrava parte das conversas em tempo real.
As equipes responderam ao cenário com a integração do Bluesky à plataforma de coleta de dados. A mudança permitiu manter o acompanhamento das conversas do público em outro canal.
O caso reforça um dos desafios do monitoramento de redes sociais: a estratégia precisa acompanhar mudanças nas próprias plataformas. No Rock in Rio, a combinação de social listening, dados e comunicação permite transformar milhões de conversas digitais em informações para acompanhar o público, identificar problemas e orientar decisões durante o evento.